BEIRA DE FOGÃO

•As pimentas congelam bem e podem ser usadas diretamente no freezer. Congele pimentas frescas em um saco plástico.
• Se quiser suavizar o sabor picante das pimentas, tire as sementes e as membranas da parte interna.
• Para refrescar ramos de ervas murchas como o cheiro verde, coloque-as sobre papel-toalha e umedeça com água. Leve à geladeira antes de usá-las.
• Para tirar pele de tomates, ponha-os em água fervente. Deixe por 1 minuto, depois coloque em água fria. A pele sairá com facilidade.
• Deixe para picar ou cortar o pimentão após a cebola, ele tirará com facilidade o cheiro de cebola das mãos.
• Antes de lavar verduras, deixe-as mergulhadas em água com um pouco de sal e vinagre durante dez minutos. Assim as impurezas e/ou insetos e larvas subirão à superfície da água facilitando a limpeza em água corrente.
• Para saber se o ovo está fresco, dissolva duas colheres (sopa) de sal em 600 ml de água dentro de uma vasilha. Coloque o ovo na água. Se ele afundar, estará fresco; se boiar estará estragado.
• Armazene os ovos corretamente com o lado pontudo para baixo, para centralizar a gema e mantê-los frescos.
• Antes de fritar peixe, adicione fatias finas de gengibre ao óleo para dar sabor extra. Deixe em fogo moderado por 3 e 4 minutos, tire e frite o peixe.
• O leite de vaca deixa o peixe macio e mais saboroso. Se o peixe for fresco, deixe-o de molho por alguns minutos no leite antes de temperar. O peixe congelado pode ser também descongelado imerso em leite e ficará com sabor de peixe fresco.
• Coloque um pouco de sal no fundo da frigideira com o azeite ainda frio quando for fritar peixe. Assim, o azeite não espirrará.
• Para evitar que a carne do peixe resseque e/ou grude na frigideira, convém envolvê-lo em farinha de rosca, trigo ou outro cereal. O resultado é uma deliciosa comida crocante, que mantém o peixe úmido e macio.
• Misture semente de gergelim à farinha para dar mais textura e sabor à cobertura do peixe frito.
• Para cozinhar sururu e/ou mexilhão, ainda na concha, coloque apenas um pouco d'água; ou melhor ainda, apenas um pouquinho de óleo, levando a panela tampada ao fogo. Eles cozinharão no próprio caldo.
• A casca dos camarões sairá com mais facilidade, se você despejar por cima água fervente com um pouco de limão ou vinagre.
• Se você não tem pedra de afiar ou afiador, use a base de uma caneca de cerâmica (fundo). Passe a faca com firmeza e cuidado, várias vezes, no fundo da caneca e na mesma direção.
• Faça, com o auxílio de uma faca grande, um círculo em volta do coco seco já descascado, como se estivesse fazendo uma pequena marcação. Nesta marcação amarre um barbante grosso e coloque-o sobre a chama do fogão. O barbante queimará e ficará mais fácil quebrar o coco em duas partes iguais e a polpa sairá com facilidade.
• Para extrair leite de coco (viscoso), junte à polpa do coco ralada a sua água reservada. Despeje um pouco de água quente e deixe a mistura descansar por mais ou menos 1 hora. Forre uma peneira ou um crivo com um pano úmido e coloque-o sobre a vasilha. Coe o líquido pouco a pouco. No final, torça o pano e esprema a massa para extrair a maior quantidade de leite possível.
• O açúcar cristal é melhor que o açúcar refinado para fazer caldas, no caso de licor. Ele derrete mais rápido, fica mais fino e não escurece tanto quanto o açúcar refinado.
• Para tirar a baba pegajosa dos quiabos, pingue algumas gotas de limão por cima.
• Para gelar o vinho mais rápido, envolva a garrafa em uma flanela molhada com água gelada. Em segundos, o vinho ficará na temperatura ideal.
• Se o arroz queimar, coloque imediatamente a panela ainda quente e com vapor dentro de um recipiente com água fria. Em pouco tempo, o cheiro de queimado desaparecerá.

• Para esquentar o arroz já cozido, basta colocá-lo num escorredor ou um crivo sobre uma panela com três ou quatro dedos de água. Deixe a água ferver durante alguns minutos para que o arroz fique quente e soltinho através do vapor. Outra alternativa é o uso da cuscuzeira.
• Sobrou muito óleo da fritura do peixe e você deseja aproveitá-lo? É só passá-lo por um filtro para retirar as impurezas, pingando algumas gotas de limão e deixando-o esquentar um pouco. Ele não ficará com cheiro nem com gosto de peixe.
• Não estrague um limão inteiro se você for usar apenas algumas gotas. Faça um furinho com um palito, use o que precisar e tampe com o mesmo palito.
• Se você sentir que o limão está duro e assim sair pouca água, coloque-o por 1 minuto em água quente ou por 10 segundos no microondas em alta.
• Se aquecer o óleo muito bem antes de fritar o peixe, uma crosta externa se formará no ato e quase nada de gordura será absorvida, deixando a carne macia e úmida.
• Para uma cobertura crocante, coloque 1 palito de fósforo no óleo, antes de fritar; quando o palito acender, a temperatura deve estar a 190ºC, o ideal para fritura.


 
PESANDO E MEDINDO

1 Colher de chá ............. 1/3 colher de sopa = 5 ml
1 Colherinha de café ..... 1/3 de colher de chá = 25 ml
1 Colher de sopa ........... 3 colheres de chá = 15 ml
¼ xícara (chá) ............... 4 colheres de sopa = 60 ml
1/3 xícara (chá) ............. 5 colheres de sopa + 1 colher de chá = 80 ml
½ xícara (chá) ............... 8 colheres de sopa = 120 ml
1 xícara (chá) ................ 16 colheres de sopa = 240 ml
½ litro .......................... 2 xícaras = 500 ml
1 litro ........................... 4 xícaras (4 copos americanos) = 1000 ml
Arroz ............................. 1 xícara (chá) = 210 g
Açúcar refinado ............. 1 xícara (chá) = 160 g
Açúcar confeiteiro .......... 1 xícara (chá) = 140 g
Coco seco ralado ............ 1 xícara (chá) = 80 g
Farinha de mandioca ... 1 xícara (chá) = 150 g
Farinha de rosca ........... 1 xícara (chá = 80 g
Farinha de trigo ............ 1 xícara (chá) = 120 g
Óleo .............................. 1 xícara (chá) = 200 g

Embalagens convencionais
Creme de leite (lata) ,,,,, 300 g
Creme de leite (caixa) ... 200 g
Leite de coco (vidro) ...... 200 ml


 LEMBRANDO

• Al dente - Levemente cozido por dentro
• Ao ponto - O alimento que chegou no ponto de cozimento
• Bom de sal - bem temperado (a gosto)
• Borbulhar - O estourar das bolhas na superfície de um cozimento qualquer, durante a ebulição.
• Brejo - Município maranhense.
• Camarão - Crustáceo da ordem dos decápodes, com 10 patas, são de três espécies os de água salgada conhecidas no Brasil: camarão-rosa, camarão-branco e camarão de areia, ou de sete barbas. Os primeiros atingem até 20 cm de comprimento, sendo o último, bem menor, de apenas 7 a 8 cm. No Maranhão, o camarão é classificado conforme o tamanho: camarão-lagosta, camarão, simplesmente, e camarão piticaia ou camarão d'água doce. Entrando na composição de inúmeros pratos, sendo os mais apreciados entre nós a torta (fritada) e a incomparável e sempre louvada caldeirada. Juntamente com o peixe-frito e o cuxá, constituem a excelência da cozinha maranhense.
• Caranguejo - Os melhores são os machos, pois têm as pernas e unhas maiores que as das fêmeas e é justamente nelas que se encontra a carne mais branca e saborosa.

• Carece - Precisa
• Cheiro-verde (salsa) - Ou simplesmente “cheiro” - plantinha de folhas miúdas e perfumadas - é uma das ervas usadas para temperar diversas comidas. No Maranhão, “cheiro verde” constitui-se de um maço, contendo: salsa, coentro e cebolinha, em pequenas porções, amarradas por um barbante.
• Coco babaçu - O coco babaçu é a palmeira representativa do Maranhão. Do seu fruto, de no máximo 10 cm, são extraídas amêndoas que dão origem a um óleo muito cheiroso - “azeite de coco” e com o qual se temperam peixe, camarão, crustáceos em geral, dando-lhes um sabor todo especial.
• Colher-de-pau - Colher de madeira de vários tamanhos usada para mexer comidas, ao fogo, misturar ingredientes, etc...
• Colorau - Pó vermelho condimentício, feito à base de pimentão e urucum, utilizado para dar cor ao alimento, popularmente conhecido como “corante”.
• Condimento - Substância aromática usada para realçar o sabor dos alimentos.
• Cravo da índia - Mesmo que cravinho muito usado na doceria.
• Crivo - coador, peneira.
• Cupuaçu - Nativo da Amazônia e Maranhão, o fruto é uma cápsula grande (chega a pesar 1,5 Kg) de casca dura e lenhosa, cilíndrico coberto de pelos escuros, aveludados. De perfume inconfundível, concorre com o bacuri na preferência das sobremesas do Estado.
• Curupu - Ilha situada entre os municípios maranhenses de São José de Ribamar e Raposa, com grande concentração de pesqueiros de peixe-pedra.
• Debulhado - Tirado da casca.
• Farinha - Mandioca processada e torrada. Farinha seca, branca, e farinha d'água, amarela. A seca pode ser grossa ou mimosa, isto é, grãos graúdos ou bem fina. A farinha d'água, paixão dos maranhenses, utilizada como pirão, farofa ou pura, é companhia para toda espécie de comida, carne, frutas, café, leite, garapa, mel, juçara, doces, etc... e especialmente para acompanhar de perto um peixe frito, assado, ou o gostoso camarão seco com limão.
• Feira da Praia Grande - Funciona no prédio que abrigou, no século XIX, a Casa das Tulhas, com um conjunto de quiosques com a função de celeiro público. Localizada em frente ao Largo do Comércio, comercializa frutas, bebidas regionais, artesanato, víveres, peixes e mariscos.
• Frigideira - Vasilha rasa, de ferro, alumínio ou ágata, com cabo, utilizada em frituras.
• Gergelim - Natural da Índia, conhecido em todo o Oriente desde remota antiguidade, os seus grãos, conforme a variedade, podem ser: brancos, amarelinhos ou pretos; este, principalmente, é indispensável na feitura do prato símbolo do Maranhão: o cuxá.
• Merenda - Refeição leve, entre o almoço e o jantar. O que as crianças levam para comer na escola, em geral no recreio.
• Peixe-pedra - Coberto de escamas de cor prata, o peixe pedra é vendido comumente em “cambadas” de 5 a 8 peixes pelas ruas, portos e mercados do Maranhão. Vindo especialmente de São José de Ribamar (município a 30 Km de São Luís), fisgado no sistema primário de pesca anzol e linha de mão é muito gostoso e apreciado pelos maranhenses, tornando-se um dos seus principais pratos típicos.
• Pilão - Recipiente de madeira, metal ou pedra, onde se pisa, amassa, descasca ou tritura. O pilão, moinho primitivo , era feito de madeira pesada, como pau-d'arco ou canela preta, angelim e maçaranduba, havendo alguns cavados dos dois lados.
• Pimenta - Fruto da pimenteira. Jean Baptiste Debret, em “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, acrescenta que “a malagueta esmagada simplesmente em vinagre (dizemos também em limão) é o prato permanente e de rigor para o brasileiro de todas as classes”. No Maranhão, há várias espécies de pimenta: malagueta, pimenta-de-cheiro, não-ardente e perfumosa, própria para peixes e mariscos; pimenta-rosa, semelhante a uma flor; pimenta-murici, parecida com a fruta deste nome. Todas, quando bem dosadas, transformam “molhos” em verdadeiras obras-primas.

• Pirão - Papa feita de farinha de trigo ou mandioca escaldada utilizando o caldo da própria comida.
• “Pru mode” - De modo que; de maneira que.
• Refogar - Cozer os ingredientes indicados pela receita até ficarem macios ou dourados.
• Sururu - Molusco da família dos mitilídeos, o sururu vive na lama das praias e manguezais. De tamanho menor que o mexilhão, com o qual é, inadvertidamente, muitas das vezes confundido, é delicioso preparado como torta, mexido, frito ou ensopado no leite de coco. Para prepará-lo, verifique se as conchas estão bem fechadas. Caso estejam entreabertas, devem fechar imediatamente ao receber uma leve pancadinha seca com as pontas dos dedos; caso contrário estão mortos, portanto cheios de toxinas. Elimine os que estiverem nessas condições. Para cozinhar o sururu, coloque-os numa panela grande com uma pequena quantidade de água fervente e deixe cozinhar até que as conchas se abram. Elimine aqueles que não estejam abertos.
• Uma “Quarta” - corresponde a uma medida de 250g. “Uma quarta de quilo”
• Untar - Aplicar ou passar óleo ou unto (banha, gordura, etc..)
• Vinagreira - De nome científico Hibiscus Sabuariffa, é conhecida com nomes vulgares de caruru-azedo, quiabo roxo, quiabo azedo e azedinha. Suas folhas cozidas, são comestíveis e com elas preparam-se inúmeros pratos, especialmente o cuxá.

 

 SUGERIMOS 

• Cuxá
Com arroz branco
Com arroz branco e peixe frito
Com torta de camarão e arroz branco

• Caruru
Com arroz branco
Com peixe frito e arroz branco

• Caldeirada de camarão
Com pirão
Com arroz branco e pirão

• Sururu
Com farinha d'água
Com arroz branco

• Casquinho de caranguejo
Como tira-gosto
Como entrada
Com arroz de toucinho

• Arroz de mariscos
Como prato único
Acompanhando frutos do mar
Com vatapá
Com caruru
• Peixe Frito
Com arroz branco e farinha d'água
Com farinha d'água e limão
Como tira-gosto

• Vatapá
Puro
Com arroz branco
Com peixe frito e arroz branco
Com torta de camarão e arroz branco

• Doce em calda
Como sobremesa
Como merenda
Com farinha

• Torta de camarão
Com arroz branco
Com cuxá
Com vatapá
Com farinha d'água

• Peixe Escabeche
Com arroz branco
Com vatapá e arroz branco
Com cuxá e arroz branco

• Licor de Cupu
De barriga cheia, escutando o nosso CD

 

WELLINGTON REIS E JOSÉ IGNACIO



 

 EXPERIMENTE 

Juçara com farinha d'água e camarão seco;
Juçara com farinha d'água e peixe seco assado na brasa;
Café com farinha d'água e camarão seco.

Huuuuuuuummmmm! Por enquanto, é só!


 DE QUEBRA 

Molho de Pimenta

Como elemento indispensável na mesa maranhense, de origem indígena, o molho de pimenta é basicamente a mistura de pimenta fresca (murici, malagueta ou de cheiro) com limão, espremido na hora e ali utilizado. Outras misturas foram criadas como vinagre, sal e pimenta, podendo ser estocadas em recipientes de vidro por mais tempo. A inventividade negra e lusa contribuiu para outras criações, a seguir:
- Pimenta com leite-de-coco, temperada com sal;
- Misturada com o soro da coalhada, sal e folha de louro;
- Misturada com leite de vaca e sal;
- Com vinagre, sal e azeite o que potencializa seu sabor picante;
- Com cachaça, azeite e sal;
- No picles caseiro, numa mistura de legumes (a gosto), cortados e aferventados em água e sal, aos quais se acrescentam vinagre, pimenta (vários tipos) e sal a gosto etc... Crie o seu molho e vá em frente!
 

Arroz branco

Ingredientes:
- 3 xícaras de arroz, lavado e escorrido
- 6 xícaras de água fervente
- 2 colheres de chá de azeite ou gordura (à escolha)
- Sal à gosto

Modo de preparar
Lave o arroz em água corrente até sair todo o pó (branco). Deixe secar, por uns minutos.
Numa panela à parte coloque a água pra ferver. Em uma outra, esquente o azeite e ponha o arroz, mexendo sempre até absorver todo o azeite. Abaixe o fogo e despeje a água fervente sobre o arroz. Tempere com sal à gosto. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por 15 a 20 minutos.
Obs: Não é preciso mexer o arroz durante o cozimento.

Outra maneira
Coloque a água para ferver, já temperada com sal. Quando ferver, abaixe o fogo e coloque o arroz, lavado e escorrido. Tampe a panela e deixe cozinhar também por 15 a 20 minutos.
Opções: Querendo acrescente um pouco de azeite, manteiga ou margarina e uma colher de café de alho amassado...
Claro! Antes do cozimento. Fica bem soltiiiinho!

 BUMBA MEU BOI
 

No Maranhão, o Bumba-meu-boi representa o ponto alto das chamadas festas juninas, que giram em torno das figuras de São João, São Pedro, Santo Antônio e São Marçal, envolvendo intensamente a cidade de São Luís e o interior do Estado.
Os bois maranhenses estão divididos em “sotaques”, que representam os estilos, as formas, a maneira de ser predominante nos grupos. Os “sotaques” provêm de diversas regiões do Estado, ocorrendo entre eles variações quanto ao ritmo, ao bailado, aos instrumentos, ao guarda-roupa, às toadas, ao “auto”...
O “sotaque da Ilha” é peculiar aos bois da ilha de São Luís. Caracterizando-se pelas matracas, duas tabuinhas de madeira que, batidas uma contra a outra, causam um som estridente, ao lado dos pandeirões e dos tambores-onças. Destaca-se por atrair grande número de brincantes e uma maior participação do público em suas apresentações.
O “sotaque de zabumba” ou “sotaque de Guimarães” tem características mais africanas, oriundo do litoral Norte do Maranhão, ressaltando-se a presença de tambores conhecidos como zabumbas. Assentado na forte percussão os “bois de zabumba”, tem um ritmo socado, forte, vibrante e envolvente. É caracterizado por uma batida rústica, cadências lentas e apressadas que lembram o rufar dos tambores africanos.
O “sotaque de orquestra” é marcado por um conjunto de instrumentos como: clarinete, banjo, saxofone, piston, trombone, bumbo e maracás, tendo um ritmo mais alegre e suave.
O “sotaque da Baixada” advém da região da Baixada Maranhense (Vale do Rio Pindaré) e nele se destaca o guarda-roupa rico e exuberante, com grandes chapéus de penas, bordados e fitas, além de maracás, matracas e pandeiros menores que os usados nos “bois da ilha”.
O “sotaque de Cururupu” é caracterizado pelo seu ritmo bastante cadenciado, marcado por instrumentos de percussão como caixa, maracá e pandeiro pendurados com auxílio de um fio no pescoço do brincante, facilitando a batida, que é feita com as costas das mãos; razão pela qual também é conhecido como sotaque “costa de mão”.
 


  TAMBOR DE CRIOULA
 

O Tambor de Crioula constitui-se numa dança popular maranhense, marcada por uma grande influência negra, cujos traços estão presentes nos seus vários elementos, ou seja, no ritmo, na música, nos cantos, na coreografia, nos instrumentos e no guarda-roupa.
Nessa dança, transparece um sentimento religioso aliado a um caráter profano. A religiosidade concentra-se em torno da figura de São Benedito, o Santo Preto, em louvor de quem, tradicionalmente, se dança o tambor. O lado profano aparece na característica que tem o tambor de ser uma diversão para os seus brincantes, uma forma de extravasamento das preocupações com a dura luta pela sobrevivência, enfrentada pelas camadas populares.
Os participantes organizam-se em grupos de pessoas de ambos os sexos, as mulheres que são dançantes, chamadas de “coreiras”, os homens, que são tocadores e cantadores.
Quanto aos instrumentos, utilizam-se três tambores feitos de madeira ou, mais atualmente, de grossos canos, cobertos de couro. Esse tambores têm tamanhos diferentes: o tambor grande é chamado de roncador ou rufador; o médio, de meião, socador ou chamador; e o pequeno de perengue, merengue ou crivador. Os tambores são tocados com as mãos. Para melhor afinação, são esquentados no fogo.
As “coreiras” usam saias coloridas, estampadas, blusas com bordados e rendas, colares e pulseiras em cores variadas, e os “coureiros” vestem camisas também coloridas, que podem ter estampas semelhantes às das mulheres, e chapéus de palha.
 

 

 DANÇA DO CACURIÁ

São várias as denominações da Dança do Cacuriá: Bambaê de Caixa, Carimbó de Caixa e Baile de Caixa.
Originalmente, a dança faz parte da Festa do Divino Espírito Santo e acontece por ocasião da derrubada do mastro, sendo praticada por um grupo de homens e mulheres. Algumas destas são as responsáveis pelo toque das caixas – único instrumento musical que acompanha a dança – e, por isso, são chamadas de “caixeiras”. Ao tocar, entoam versos espontâneos ou já conhecidos, cada qual com sua característica própria.
Os demais dançantes se dividem em casais para a execução da coreografia, que depende das músicas cantadas, sendo estas profanas na sua totalidade.

 

 DANÇA DO LELÊ
 

Com a denominação de Dança do Péla (de péla porco), essa manifestação artística é encontrada na cidade de Rosário, em povoados desse município e de outros que lhe são próximos.
É acompanhada por um conjunto musical que tem o violão, o cavaquinho e o pandeiro como instrumentos básicos, embora outros dele façam parte: a rabeca, o pífano e as castanholas.
A dança do Lelê se divide em quatro partes:
O Chorado – É a parte que inicia a festa e em que os bricantes escolhem seus pares, formando os cordões. É uma espécie de convite à dança, expresso em estrofes cantadas de seis versos, que saúdam a platéia, apresentam os cantadores e os tocadores, louvam os santos, criticam os presentes etc.
A Dança Grande – É a parte mais longa da festa, na qual os brincantes, já muito animados, apresentam uma coreografia diversificada.
Cantam-se estrofes de quatro versos, envolvendo temas satíricos e diálogos entre os cantadores.
A Talavera – É dançada na madrugada, com os brincantes sempre de braços dados. Os cantos, feitos em estrofes de quatro versos, falam dos motivos de estar na festa.
O Cajueiro – É dançando ao alvorecer, quando os brincantes cantam, saudando os músicos, o dono da casa e os espectadores.
 

 DANÇA DO COCO

Conhecida como Dança-do-coco-babaçu, Dança-do-coco-ariri, Dança-do-coco ou simplesmente Coco, é um folguedo tradicional ligado ao trabalho escravo.
É dançado por grupos de pessoas, geralmente da periferia da cidade ou da zona rural, constituídos por homens, mulheres e crianças; grupos esses que podem ter até mais de 100 participantes.
Os homens usam calças e sapatos do cotidiano, camisas iguais, listradas ou estampadas e um facão na cintura.
As mulheres usam vestidos do mesmo tecido estampado, com babados e rendas. Enfeitam-se com brincos, colares, chapéus e rosas nos cabelos e calçam tamancos. Na cintura amarram um pequeno cofo com amêndoas e levam na mão a imitação de um machado.
Os instrumentos utilizados na Dança-do-coco são os seguintes: saxofone, pistom, trombone, banjo, pandeiro, triângulo de ferro, maracá-de-lata e tambor-surdo, que formam uma pequena orquestra.
 

 DIVINO ESPÍRITO SANTO

A Festa do Divino Espírito Santo, que relembra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, é uma das mais expressivas festas do calendário religioso do Maranhão, principalmente no eixo São Luís-Alcântara.
Originada em Portugal, com a construção da Igreja do Espírito Santo em Alenquer, no século XIII, por ordem da rainha Dona Isabel, a festa chegou ao Brasil no século XVI com os colonizadores.
Em São Luís, o Espírito Santo é muito festejado em terreiros de mina, com festas realizadas o ano inteiro.
Em Alcântara, se caracteriza como uma festa tipicamente católica. Os festeiros são escolhidos com um ano de antecedência, quando começam a se preparar para o grande dia em que o imperador recepciona seus convidados com um almoço e farta mesa de doces.
A Festa do Divino é rica em rituais. Leitura do pelouro, transmissão dos postos, recebimento da santa Croa, missa do fogo, buscamento e levantamento do mastro, prisão dos mordomos e visitas do imperador e mordomos são alguns momentos que marcam a festa.
Além do imperador, mordomo régio e mordomos baixos, que compõem o império simbólico, as caixeiras desempenham um papel importante. São mulheres que acompanham o cortejo tocando pequenos tambores conhecidos como caixas.
 


 CORDÃO DO BICHO

Os cordões de bichos ou pássaros, manifestações de ordem indígena, são folguedos típicos da região da Amazônia.
Estas brincadeiras são encontradas tanto no período momesco quanto junino, conforme se constata em Câmara Cascudo: “Cordão – grupo de foliões com roupas de fantasia, cantando e dançando mais ou menos ritmicamente durante os três dias de carnaval ou de certas festas tradicionais religiosas.”
Trata-se de folguedos onde se pode notar uma mistura de bailado com pequena comédia chistosa, cuja figura principal é sempre representada por um bicho da região, a exemplo, o quati, o gambá, o tentém, o rouxinol, a guariba, a onça, o pavão, a garça e tantas outras.
A animação fica por conta de ritmos como xote, baião, valsa, forró, mina, marchinhas, coco e carimbó.

 

 ESCOLAS DE SAMBA

Grupos de foliões que, divididos em alas, se apresentam na passarela, fazendo evoluções com base num tema escolhido previamente. Em São Luís, Maranhão, esses grupos eram conhecidos, originariamente, como turmas, com destaque para a Turma de Mangueira e Turma do Quinto, duas das mais antigas escolas de samba de São Luís. Desses grupos releva-se a presença, desde 1936, do Bloco Fuzileiros da Fuzarca, que não se tornou escola de samba e preserva até hoje o seu batuque, ou a sua “Batucada dos Fuzileiros”, como é popularmente conhecida, utilizando como instrumentos de percussão tambores feitos de lata de óleo e cobertos com couro de animal, além de pandeiros de platinela, triângulo de ferro e cabaças cobertas em “contas”.



 CASA Das MINA
 

A Casa das Minas é o terreiro de religião africana mais antigo de São Luís. Fundada no século XIX, é uma casa de culto aos voduns, entidades espirituais do antigo retiro africano Dahomé, atual República do Benin. Chefiada por mulheres, desde a sua fundação foi comandada por seis vodunsis, dentre as quais ficou muito conhecida Mãe Andreza, que chefiou a casa por 40 anos.
A Casa das Minas, apesar de se apresentar como o único terreiro Mina-Jeje, exerceu grande influência nos terreiros de mina de outras “nações”, inclusive na Casa de Nagô. Uma espécie de templo que cultua a religião africana da Nação Nagô, também fundada por africanos, que, segundo a história oral, foi aberta com a colaboração da fundadora da Casa das Minas, “Nã Agotimê” (Maria Jesuína), africana consagrada ao vodum Zomadônu, o dono da Casa das Minas.

 

 

 

 

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